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01 OUT
[ROGAI POR NÓS, SANTA DULCE DOS POBRES]

ROGAI POR NÓS, SANTA DULCE DOS POBRES

A senhora conheceu a Irmã Dulce, indaguei a uma senhora negra, que limpava, com disposição e alegria, uma mesa numa lanchonete no Aeroporto Internacional de Salvador. Sim, com certeza, respondeu ela. Eu havia desembarcado naquele momento, vindo de Vitória do Espírito Santo, a fim de participar da cerimonia de beatificação de Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, mais conhecida como Irmã Dulce dos Pobres. Perguntava a mim mesmo se o nosso povo compreendia a importância daquele evento. Esta era a minha dúvida. Com muita clareza e contundência a senhora completou: o meu esposo trabalhou por muito tempo no hospital Santo Antônio. Nossa família tem uma grande dívida com esta santa mulher. Ela nos ajudou imensamente. Estamos muito alegres, pois ela será beatificada. Será o que? Perguntei novamente. Será beatificada, confirmou a alegre senhora. Curioso, eu perguntei: A senhora participa de alguma Comunidade Eclesial? Sim, respondeu ela. Eu e minha família somos da Assembleia de Deus.

Confesso que naquele momento fiquei emocionado e percebi que o “Anjo Bom da Bahia”, a Irmã Dulce dos Pobres, não seria santa só dos católicos, pois todo baiano, católico ou protestante, filho de Gandi ou do Ilê, crente ou mesmo sem religião alguma, a reverencia com todo o carinho e respeito. 

Que festa linda no céu!  O Senhor Jesus Cristo, que passou a vida fazendo o bem e amou sem impor condição, acolhendo a nossa Santa. Vinde Dulce dos Pobres! Recebei em herança o Reino que meu Pai, vos preparou, pois eu estava com fome e me deste de comer, eu estava com sede e me deste de beber.

Neste momento, em que uma crise avassaladora nos atravessa, quando a vida humana é ameaçada, a região amazônica é devastada, seus povos tradicionais, indígenas e quilombolas são desrespeitados e desprezados, como cristãos, somos desafiados a sermos fiéis ao mandato evangelizador do Mestre Jesus, colocando as pessoas, e não as coisas, como o eixo central da evangelização. Pois nesta realidade desafiadora, não há espaço para a indiferença diante das situações de miséria e opressão em que vive a maioria da humanidade. As feições concretas dos povos indígenas e afro-americanos são as feições sofredoras de Cristo. Nele, conhecemos a imensa dignidade que constitui a grandeza do humana. Tocar o homem é tocar em Deus. Que nos proteja Santa Dulce dos Pobres.


+Zanoni Demettino Castro

Arcebispo Metropolitano de Feira de Santana

Foto: Diocese de São Mateus